em Sobre sua fé

Havia passado o tempo o choro ganhou a primazia nas formas de salvar a alma. Naquele estágio da coisa, chorar era saída para uma busca desesperada por atenção: “dói em mim também!”

Os relatos bíblicos registram três oportunidades em que Jesus chorou. Jesus chorou no episódio da morte de Lázaro (João 11), chorou ao olhar para Jerusalém e vislumbrar o futuro que lhe aguardava (Lucas 19:41), e depois na oração feita no Getsêmani (Lucas 22:44), às vésperas de sua crucificação.

Essas três passagens trazem a figura de um Deus que quebra a expectativa de um espírito rígido. Jesus nitidamente encarnava um Deus inundado de phatos, daqueles que dançam com seus amigos no mundos do sentidos, nem que seja por meio de lágrimas.

Um Deus que chora assim, atraí-me pelo menos por 3 motivos, a seguir.

O choro é a irrelevância das convicções

Quando Jesus chora revela que a compaixão (o “sentir com”) superou qualquer outra convicção ou saber. Por que eu penso isso? Porque Jesus, muito provavelmente,  sabia “da certeza” de que iria ressuscitar Lázaro, mesmo assim, chorou. Um Deus tipo esse sabe chorar comigo, mesmo já sabendo os desfechos da história.

Saber de sua capacidade de resolver a situação, não Lhe tirou a capacidade de se importar. Um Deus com as lágrimas de Jesus, importa-se com o meu tempo e com os meus processos de aprendizado, ainda que desejasse de mim uma consciência diferente.

Esse Deus, também, não me infantiliza, menospreza e nem coisifica minha pequena existência. Não sou um objeto de análise ou de programação maquínica. Pelo contrário, coloca-se do meu lado como um igual. E, mesmo sendo Deus, tem a igual necessidade de me ver bem, e sofre por isso, assim como tenho a necessidade da companhia Dele.

A relevância fica por conta da conexão, e dos estados de espírito que ela vai deixando em mim.

A humildade relacional de se optar pela liberdade

Sou atraído por um Deus mais humilde do que eu. Afinal, como ele poderia me cobrar humildade!?

Por um ponto de vista, creio que Jesus chorou por que sabia que não restava muito senão chorar. Por exemplo, ao olhar para Jerusalém (lc 19:41), percebo o choro de quem sabe que as escolhas geram consequências indeléveis. Vamos ter de conviver com a morte, com a desgraça, com a dor da falta, etc.

Esse é, portanto, o lamento de quem olha, faz um quadro do passado e do futuro, e, sem palavras, chora; pois, do que jeito que as coisas estão indo, outro resultado não haverá, senão o sofrimento.

E o que tem de humildade nisso? O Deus que chora, acredito, é aquele que optou pelo humilde caminho de abraçar que a vida não acontece sempre de um jeito só. Penso que suas lágrimas dizem: “desejei me relacionar com seres livres, e escolhas podem trazer sofrimento e felicidade. Eu, todavia, continuo me importando.”

A esperança do choro

A fé do Jesus que chora carrega, também, esperança.

Primeiro, porque somente chora quem tem um valor importante na vida, ou seja, quem tem algo pelo o que vale a pena derramar lágrimas. “Eu só acredito em amor que chora.” (Nelson Rodrigues)

E, segundo, Ele chora porque a história está aberta: há sofrimento, mas pode existir renovo. Há choro, porque há sentimento de que as coisas poderiam ser diferentes.

Assim, justamente porque está aberta a história, é que Ele pode chorar, mostrando com seu sentimento de tristeza o desejo de que se façam novas escolhas.

Um Jesus assim demonstra com seus sentimentos e suas emoções, que quer se conectar com meu desafio de viver. Nesse encontro, posso esperar.

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