em Fillipe Gibran

Por que perdoar é tão difícil?

Normalmente confundimos o sentido de 2 palavras: Perdão e misericórdia.

A primeira (perdão) é uma remissão de dívida, uma absolvição. É não cobrar do outro aquilo que teoricamente somos credores. Pela perspectiva bíblica, perdão não está embasado em sentimentos, talvez, nem mesmo seja uma escolha. Então o que seria perdão?

OBRIGAÇÃO/DEVER CHAMADO PERDÃO

Gosto de classifica-lo como OBRIGAÇÃO/DEVER. Quando analisamos a Parábola do Credor Incompassivo (Mateus 18:21-35) vemos que um senhor foi piedoso com seu servo. Perdoou-lhe uma dívida enorme. Este servo não mostrou a mesma piedade com seu conservo. cobrou-lhe uma dívida muito menor. O que trouxe  indignação para outros conservos e também para o Senhor.

É como se Deus nos dissesse: “perdoei você de uma dívida impagável e você não é capaz de perdoar seu irmão por essa mínima ofensa?”. (Perto do perdão que recebemos de Deus, qualquer ofensa, por maior que seja, passa a ser mínima).

Quando não perdoamos estamos “cobrando” do outro aquilo que ele nos deve. Daí estamos dizendo ao Pai que também cobre a nossa dívida para com Ele.

Ou  seja, quando queremos dar ao outro o que ele “merece” dizemos a Deus que também nos dê o que merecemos. Sinceramente, eu não gostaria de receber o que mereço.

Se observa, por último, quanto ao perdão, que este é para dívidas que não podem ser pagas. Ao se analisar a narrativa da parábola, se o servo tivesse condições de ressarcir o dano ao seu Senhor, não haveria necessidade de perdão, bastava-lhe pagar e pronto. Por isso o perdão é tão fantástico.

MISERICÓRDIA

Por outro lado, a misericórdia é colocar o miserável no coração. É pegar alguém que não vale a pena e amá-lo por inteiro. Daí talvez o nosso grande equívoco.

Confundimos perdão com misericórdia. Pensando que perdoar é restabelecer na íntegra aquela relação que fora quebrada, como se nada tivesse acontecido, ou que perdoamos quando paramos de sentir a dor ou qualquer outro sentimento causado pelo agressor, ou perdoamos quando somos capazes de amar o ofensor como se nunca tivesse nos ofendidos.

Não, não é isso. Talvez esse seja o plano ideal…Talvez, nos constranger em amor a ponto de que as transgressões sejam completamente absorvidas pela misericórdia.

Porém esse plano esperado, é o fim da linha, o destino final. Para chegarmos lá existe um longo caminho a ser percorrido até que sejamos capazes de colocar o miserável (o ofensor) no coração novamente, sendo mais importante o trajeto do que o destino.

COMO ANDAR EM PAZ COM O OFENSOR?

Esse caminho vai sendo construindo diariamente passo a passo pelo Espirito Santo de Deus em nós, que vai nos convencendo SEGUNDO CRITÉRIOS DO REINO DE DEUS E NÃO NOSSOS, sobre o que é justiça, o que é juízo, o que é pecado. Esse é o caminho da conversão, o caminho da graça, da renovação da mente e da satisfação do princípio da justiça divina. Aí chegaremos, um dia, ao ponto de sermos integralmente família, irmãos e não como ofensores e ofendidos.

Desse modo é impossível perdoar de imediato? De imediato, ninguém é capaz de exercer misericórdia (amar o que não vale a pena ser amado), somente Cristo, mas, PERDOAR É POSSÍVEL COM TAMBÉM É DEVIDO. Mesmo que ainda estejamos cheios de sentimentos negativos ou ruins, ou que ainda não estejamos prontos para restabelecer na integra as relações quebradas. Devemos perdoar.

Como enfim gerar o perdão?

Devemos tirar do nosso coração o desejo de cobrar o que nos é devido, tirar do coração a vontade de fazer justiça, pelo o que achamos ser justo. Depositar isso em Deus. Dizendo: Deus porque perdoou minhas ofensas, irei perdoar meu ofensor, mesmo que doa, ou aparentemente me traga prejuízo, não cobrarei dele o que ele me deve, mesmo que tenha imensa vontade de cobrar, pois quero que seja aplicada A JUSTIÇA DO REINO DE DEUS E NÃO A MINHA.

Isso não implica necessariamente que de imediato conseguiremos ter uma relação proveitosa com o ofensor. Também não há problema se momentaneamente cada um partir para o seu canto. Paulo e Pedro, que se desentenderam e cada um partiu a cumprir seu chamado separadamente. Porém ambos em paz, após a conciliação. Estou Certo que persistindo na fé, o Espirito de Deus continuará a acrescentar passos a nossa caminhada. Assim, chegaremos  ao ponto de que a misericórdia se instale não só para perdoar como também para amarmos aqueles que aos nossos olhos não merecem nosso amor, pois nos ofendem.

Oremos assim, que Cristo nos dê a Paz.

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